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Serviços - Psicologia

 

A importância da Rotina escolar

 

A rotina escolar é uma sequência de atividades que visa à organização do tempo que a criança permanece na escola. Serve para orientar as ações das crianças e dos professores e favorece a previsão de situações que possam vir a acontecer. As atividades de rotina são aquelas que devem ser realizadas diariamente, oportunizando às crianças o desenvolvimento e a manutenção de hábitos indispensáveis à preservação da saúde física e mental, como por exemplo, a organização, a higiene, o repouso, a alimentação adequada, a construção das noções de tempo e espaço, as atitudes, as atividades pedagógicas, etc.
Mas não é só isso. A importância da rotina escolar na vida de uma criança vai além do aprendizado de horários, é uma construção que influenciará diretamente no desenvolvimento da identidade pessoal de cada um. Isto porque somos seres sociais e estamos inseridos numa cultura, e esta nos convoca a assumirmos nosso lugar nessa grande rede relacional.
Comecemos pelo início: a construção da personalidade de uma pessoa é algo muito simples e complexo ao mesmo tempo. Simples, no sentido de acontecer naturalmente de acordo com as situações e com as pessoas que convivemos. Mas complexa, por envolver muitos fatores, ao ponto de que, o conjunto do todo é que vai determinar a pessoa que seremos ao longo de nossas vidas. Pois bem, onde entra a questão da importância de uma rotina na vida de uma criança tão pequena, já que tem uma gama de situações que ela ainda vai viver? É justamente a possibilidade de vivenciar uma rotina desde cedo, que possibilitará a esta criança a aquisição de uma segurança interna (consigo mesma) para enfrentar as demais situações que vivenciará ao longo de sua vida.
  

Ao chegar a este mundo, somos seres totalmente dependentes de outrem por um certo período, digamos, o primeiro ano de vida. Ao começar a andar, nossa autonomia vai aumentando e com a aquisição da fala, estamos prontos para compor ativamente a sociedade que nos cerca. A escola costuma ser a porta de abertura para esse convívio social. Ela contribui para o aprendizado da convivência em sociedade, possibilitando estabelecer relações com os mais diversos tipos de pessoas. Pois bem, é aí que as coisas começam a acontecer...

 Conviver em sociedade não é tarefa fácil, principalmente por estarmos nos deparando, a todo o momento, com diferenças. É preciso que tenhamos autonomia e segurança para nos posicionarmos diante do mundo, colocarmos nossa opinião, nosso querer, nossa criatividade, etc., e assim, nos tornarmos produtivos em nosso meio. Porém, nem sempre o que queremos é o que prevalece e para lidar com estas situações também precisamos ter um posicionamento. Este vai depender de como estamos preparados, ou não, para lidar com as adversidades. E isto, quem diz é a nossa maturidade. Maturidade esta, que é construída, não nascemos prontos! Precisamos ser ensinados e esse tipo de ensinamento começa, mas nunca termina.
Precisa começar cedo, lá na educação infantil, naquela porta ao meio social que atravessamos ao entrar na escola. Lá, começamos a vivenciar sentimentos determinantes de quem seremos. É na Educação Infantil que começam os primeiros conflitos: seja por um brinquedo, pelo colo da professora, pela vez de falar, pelo livro preferido, etc. A maneira com que tais conflitos são mediados, possibilita à criança ferramentas para a construção da autonomia e da segurança, possibilitando que aprendam a esperar sua vez, a dividir, a escutar o colega, a aceitar o que é proposto pelo outro, a negociar; e por aí vai.
Isso tudo é trabalhado dentro da rotina escolar, cuja espinha dorsal é composta por alguns marcos temporais que quase nunca se alteram: a chegada, a rodinha, o lanche, o pátio e a saída, sendo importante manter constantes os parâmetros principais da rotina, para que as crianças se sintam seguras e não se desorganizem. Entretanto, outros momentos se interpõem, levando em conta o ritmo do grupo, que é dinâmico. Assim, constantemente surgem novas experiências e alterações, mas o professor se manterá em seu papel de “porto seguro”.
Na Educação Infantil a construção da identidade pessoal é trabalhada desde sua base: Quem sou eu? Quem é o outro? Essa identificação entre eu e o outro é feita, principalmente, através 

da chamada interativa: o professor sugere ao grupo que observe e verifique quem está presente e quem faltou. Após nomearem os faltosos, então começa a chamada propriamente dita, que pode ser realizada de diversas formas permitindo a descoberta e consolidação de valores, além de ser muito agradável para a criança pelo seu caráter lúdico e participativo, valorizando a presença de cada um e permitindo, embora dentro da rotina, muitas variações.
Outro momento importantíssimo que vai auxiliar na construção dos laços entre os colegas e educadoras e na organização temporal, é a rodinha, que acontece no início do turno escolar. É um dos momentos de grande interação. Implica a expectativa de algum fato relevante, pois algo de importante vai acontecer quando todos sentam numa roda. Para o professor, é uma oportunidade de observar os alunos e as relações entre eles: duplas ou trios que se sentam perto, conversam, trocam objetos, riem.
Nos primeiros dias de aula, a proximidade da roda permite que os alunos se conheçam melhor, observando semelhanças e diferenças por meio de um jogo de identificação iniciado pe

lo professor: “Tem criança com cabelo grande?”, “Tem criança com cabelo cacheado?”. Mesmo não sabendo ainda o nome dos colegas, as crianças se voltam para os indicadores, acompanhando a nomeação de cada um: “Davi vai mostrar sua mochila nova”, “Letícia, que está com o cabelo preso, vai pegar a caixa de botões”. Todo o grupo se envolve na adivinhação para descobrir quem é o aluno.
A “roda de novidade” faz parte da rotina desde os primeiros dias de aula, seja o professor trazendo objetos para serem explorados, ou as crianças com diferentes novidades (uma fruta, um brinquedo, uma revista, uma garrafinha, algumas fotos e até uma caixa cheia de tampinhas). Cria-se a oportunidade de a criança apresentar ali seus conteúdos e gostos, demarcando a singularidade de cada um. Isto pode parecer uma construção natural e espontânea, mas não é. Aprender a viver em grupo leva tempo, depende das relações que estabelecemos e das mediações que recebemos nessas vivências sociais.
Uma rotina compreensível e claramente definida é, também, um fator de segurança. Por caracterizar-se como facilitadora da aprendizagem, a rotina, então não deve transformar-se numa planilha diária de atividades, rígida e inflexível, exigindo a adaptação da criança a ela. A flexibilidade, portanto, é fundamental e a criança pode aprender a lidar com o inesperado.
A organização do tempo precisa ensejar alternativas diversas e, frequentemente, simultâneas de atividades mais ou menos movimentadas, individuais ou grupais, que exijam maior ou menor grau de concentração da atenção; determinar a hora do repouso, da alimentação, da higiene, a hora do brinquedo, da recreação, do jogo e do trabalho sério. Isto vale também para as vivências em família: é importante que exista uma rotina familiar com horários e locais adequados para cada momento: dormir, alimentar-se, brincar, estudar, etc.
As atividades propostas contribuem, direta ou indiretamente, para a construção da autonomia: competências que perpassam todas as vivências das crianças.

OBJETIVOS DA ROTINA

ü  Delegar funções e dividir responsabilidades, visando atingir a necessidade psicossocial da criança como cidadã e como sujeito de sua própria aprendizagem;

ü  Propiciar a exploração das atividades iniciais, em cada dia, de forma interdisciplinar, aproveitando diferentes situações para desenvolver diferentes conteúdos ou ampliar conceitos e vivências;

ü  Atender às necessidades de variação, criação e alternância a partir das atividades constantes como rotineiras;

ü  Valorizar a presença e a participação de cada criança, nas atividades, permitindo rodízio entre todos, sem vantagens ou desvantagens.

Aqui na Toca da Criança as atividades iniciam às 7:30 pela manhã e às 13:30 pela tarde, com a rodinha. Consideramos que é fundamental que as crianças participem desse momento inicial, pois quando chegam, querem conversar com seus colegas e contar as novidades e curiosidades que vivenciaram enquanto não estiveram na escola. Na rodinha, as crianças podem começar a vivência escolar interagindo com os colegas e educadoras de forma alegre e espontânea por meio das músicas e brincadeiras proporcionadas, tornando, assim, a chegada à escola algo prazeroso para o aluno.

 

Um forte abraço!

Juliana Calazans Spartani

Psicóloga Escolinha Toca da Criança